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Aquário

  • Foto do escritor: Gabriely Di Folco Rocha
    Gabriely Di Folco Rocha
  • 5 de nov. de 2020
  • 1 min de leitura

Por Sophie.

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Plick.

Plock.

Plick.

Plock.

As gotas caindo no aquário pareciam ponteiros de um relógio, e não paravam de bater.

Plick.

Plock.

Há quem diga que certos animais não conseguem enxergar a cor. Que vivem num mundo repleto de monotonia. De repetição. Me pergunto se o lindo peixinho dentro das paredes de vidro vê assim também. O peixinho que não tem mais suas cores roxas e vermelhas vívidas, e se passa como mais um ser nessa casa com os olhos cheios d’água.

Plick.

Plock.

Tudo o que dava vida no meu mundo se foi. O que era tão extraordinário, o que movia minhas paixões…

- Você acha que as cores dos sons vão voltar, peixinho?

O peixinho sem nome nada respondeu.

- Uma vez, fui a um concerto de uma orquestra sinfônica. A um certo ponto, já não saíam mais lágrimas. Estava maravilhado. As cores pairando no ar conforme os sons esvoaçavam, preenchendo toda aquela sala, e esquentando tudo dentro de mim com tal leveza… Lembro como se fosse ontem quando ela segurou minha mão e olhou para os meus olhos brilhando.

Plick.

Plock.

Mas nada é assim agora. As cores dos meus olhos se foram, e instantes mórbidos continuam a passar. O tempo só para em memórias. Em saudades. Acho que virei um ponto, pois o tempo não quer andar numa linha. Meu calor e meu tempo se foram.

Plick.

Plock.

Todo dia olho para essa janela branca e espero que alguma coisa mude.

Mas tudo continua na monocromia.

- Te entendo agora, peixinho. Virei alguém sem cores também...

Plick.

Plock.

Plick.


Sophie, 14.

1 comentário


Leonardo Rodrigues
Leonardo Rodrigues
17 de nov. de 2020

Sinestesia auditiva, pura sensibilidade!

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